Começava a anoitecer, o crepúsculo aos poucos ia tomando conta do céu em seu espetáculo lúgubre. Acordou... havia dormido a noite toda, o dia inteiro, sentia-se cansada. Olhou ao redor, apenas a escuridão adentrava a sala. Sentiu frio... nas paredes as primeiras luzes da cidade faziam desenhos engraçados, haviam móveis antigos por toda a extensão do seu olhar. Estava assustada, mas ao mesmo tempo, era como se se sentisse em casa.
Fora delicadamente coberta, ela diria até que alguém velou por ela nos primeiros minutos com um carinho que ainda estava impresso nas pilastras daquele cômodo. Mas agora estava sozinha e a escuridão crescia, era estranho sentir-se aconchegante, tão estranho que seu coração começou bater cada vez mais forte.
Encolheu-se nas cobertas e fechou os olhos... ainda estava cansada... os abriu novamente e as luzes agora dançavam pela parede, incandescentes. Piscou profundamente e foi tomada por um sono pesado.