Andava agora pela rua
fria e triste, que se escondia por trás do prédio da
biblioteca... era mais um caminho desenhado no meio do mato do que
uma rua propriamente dita. Escura e vazia, protegida do olhar
curioso das pessoas e dos carros que cortavam a avenida lá
à diante. Entre a avenida e a rua, o lago... e as
árvores entretidas sob o olhar canbalente da
via-láctea à cima.
Aquele caminho era perigoso, se sentia desprotegida... mas talvez isso fosse exatamente o que ela queria. Uma isca... sim... uma isca. Nada de livros ou suposições a cerca daqueles extranhos seres, ela estava desperta, queria o único conhecimento que poderia salva-la... o empírico... baseado em experiências... suas experiências.
O coração batia, cada vez mais forte e mais rápido, havia um friozinho na barriga e o ar gelado do medo que tornava tudo tão absurdadmente encantador.
Ela precisava descobrir o que era aquilo que sentia e por que ela, somente ela, os via. Era bem verdade que a mãe também havia visto, mas o pai nada percebera e ninguém nunca havia de fato afirmado que aqueles estranhos fantasmas pudessem mesmo ser reais. Era essa a parte que ela precisava entender, era por essa parte tão substancial que ela caminhava agora sozinha... no meio do mato, atrás das árvores olhando para o lago que refletia a imagem triste e fria da lua lá em cima num céu nublado.