As frutas olhavam para ela, a encaravam como de canto de olho em uma pergunta: "E então? O que vai ser?". De repente se lembrou de quando era pequena e comia algo que lhe caía mal no estômago, a mãe sempre a oferecia frutas... frutas eram sempre mais fáceis de engolir.
A sensação da solpa voltou... era horrível e não sabia se queria passar por aquilo outra vez. Parou um pouco, pesando.
De lá, de onde estava, assim no parapeito da janela, podia ver os carros se movimentando lá embaixo. Olhou ao redor, tentando reconhecer o local. Procurando por algo familiar.
Foi quando, de súbito, veio lhe um idéia na cabeça, "maçã é anti-hemético", havia lido em algum lugar. Havia procurado por aquilo também, anti-hemético significa: você come e não vômita. Se queria saber o que estava acontecendo e voltar para casa aquele era um passo impressíndível, e ela havia entedido bem.
Respirou fundo... fechou os olhos. Se decidiu. Seria a maçã. O cheiro azedo no chão apagava bastante sua expectativa. Maçã. Soltou um suspiro continuado. Teria o dia inteiro pela frente. Começava a se sentir meio zonza novamente, como se estivesse gripada, o corpo doía e o ar faltava. Cansaço, cansaço, cansaço, sem fazer nada. Será que estaria doente?
Seus olhos pararam sobre a maçã e ela a pegou. Sentiu o cheiro doce e pairou os pensamentos sobre o vermelho... o sangue. Ela não estava mais suja, mas se lembrava bem. Era isso então? Havia sido mordida? De repente todas as palavras tortas, as entrelinhas e tudo aquilo o que havia incansavelmente pesquisado começaram a se casar e a fazer sentido. Estava indecisa entre a inevitabilidade e o pânico. Mordeu a maçã.
António Castro
Sex 13 Mar 2009 11:42